Está o associativismo empresarial preparado para responder às exigências de hoje?
Durante décadas, o associativismo empresarial afirmou-se como um pilar do desenvolvimento local, sustentado pelo compromisso de empresários que, para além da sua atividade, assumiram um papel ativo na defesa e dinamização do tecido económico.
Esse modelo teve mérito. Mas o contexto atual é diferente, mais exigente, mais competitivo e mais acelerado.
Hoje, liderar uma associação empresarial implica muito mais do que representação. Implica visão estratégica, capacidade de execução e presença contínua. Exige tempo, conhecimento e responsabilidade. E quando tudo depende exclusivamente da disponibilidade individual, torna-se difícil garantir consistência, continuidade e impacto.
A questão não está na falta de vontade. Está na falta de condições.
Valorizar o associativismo passa por reconhecer isso de forma clara. Liderar, organizar, representar e executar não são funções acessórias, são funções exigentes, com impacto direto no desenvolvimento económico local. E aquilo que é exigente deve ser tratado com a devida seriedade.
Falar de profissionalização, incluindo a possibilidade de remuneração em determinados contextos, não é desvirtuar o espírito associativo. É, pelo contrário, criar condições para que esse espírito produza resultados concretos.
Significa dar capacidade às associações para planearem melhor, executarem com mais eficácia e assumirem um papel mais ativo junto das empresas e das instituições.
Naturalmente, este caminho exige equilíbrio. Exige transparência, regras claras e mecanismos de responsabilização. O objetivo não é afastar o associativismo da sua base, mas sim reforçar a sua utilidade e relevância.
Num território cada vez mais exigente, o associativismo empresarial não pode limitar-se a um papel simbólico. Tem de ser capaz de gerar valor, apoiar decisões, influenciar políticas e criar oportunidades reais para as empresas.
E isso implica uma escolha consciente sobre o seu futuro.
Continuar a depender apenas da boa vontade é limitar o alcance do associativismo.
Dar-lhe estrutura e capacidade é permitir-lhe cumprir o papel que hoje se exige.
Joaquim Viegas Simão
Presidente AESINTRA