A igualdade salarial entre homens e mulheres é um princípio que todos devemos defender. No entanto, a forma como a Diretiva da Transparência Salarial deverá ser implementada levanta preocupações legítimas, sobretudo para as micro e pequenas empresas que constituem a maioria do tecido empresarial português. Na prática, esta diretiva poderá traduzir-se em mais burocracia, mais custos de contexto e um maior risco jurídico para empresas que já enfrentam inúmeros desafios no seu dia a dia. As novas exigências de transparência, documentação e justificação das políticas remuneratórias podem tornar a gestão mais complexa, especialmente para quem não dispõe de estruturas dedicadas aos recursos humanos. Por isso, é fundamental que a transposição desta diretiva para a legislação portuguesa seja feita com bom senso. Antes de avançar, é importante avaliar o seu impacto real nas empresas e ouvir os parceiros sociais, garantindo que a defesa da igualdade salarial é compatível com a simplificação administrativa, a competitividade das empresas e a realidade do nosso tecido económico.
Presidente AESINTRA
Joaquim Viegas Simão