ACT e AESINTRA sensibilizam empresas para os riscos do calor no trabalho
A AESINTRA promoveu, em colaboração com a ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho
31/7/2026
A AESINTRA promoveu, em colaboração com a ACT -Autoridade para as Condições do Trabalho, o webinar “Impactos das Alterações Climáticas na Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho – Calor”, realizado no dia 31 de julho de 2026, através da plataforma Zoom.
A iniciativa contou com a participação das Inspetoras do Trabalho Elsa Tenera e Susana Assunção, do Centro Local de Lisboa Ocidental da ACT - Sintra, que partilharam informação técnica e orientações práticas sobre a prevenção dos riscos profissionais associados à exposição ao calor.
A sessão integrou-se na Campanha Ibérica sobre Alterações Climáticas, uma iniciativa conjunta de Portugal e Espanha que procura reforçar a sensibilização, a informação e a promoção de boas práticas de prevenção perante fenómenos meteorológicos adversos, cujo impacto na segurança e saúde dos trabalhadores é cada vez mais relevante.
O calor deve ser encarado como um risco profissional
Ao longo do webinar foi reforçada a necessidade de as empresas integrarem o calor na sua avaliação de riscos profissionais, sobretudo num contexto em que se verifica um aumento da frequência, duração e intensidade das ondas de calor.
O stresse térmico pode resultar da conjugação de diversos fatores, como a temperatura do ar, a humidade, a radiação solar, a intensidade do esforço físico, o vestuário utilizado ou os equipamentos de proteção individual. Quando o organismo deixa de conseguir regular adequadamente a sua temperatura, podem surgir situações de desidratação, cãibras, exaustão térmica ou, nos casos mais graves, golpe de calor.
Foi ainda salientado que os efeitos do calor não se refletem apenas na saúde. A exposição prolongada a temperaturas elevadas pode provocar fadiga física e mental, redução da concentração, aumento do tempo de reação e maior probabilidade de erro humano, potenciando também a ocorrência de acidentes de trabalho.
Avaliação e prevenção devem ser ajustadas a cada atividade
Um dos aspetos destacados durante a sessão foi a importância de uma avaliação de riscos integrada e dinâmica. A temperatura ambiente, por si só, não é suficiente para determinar o nível de risco.
Devem ser considerados fatores como a duração da exposição, a intensidade do esforço físico, as condições de ventilação, a exposição solar, a utilização de equipamentos de proteção individual, as características das tarefas e também as condições individuais dos trabalhadores.
Foram igualmente apresentadas metodologias técnicas de avaliação do ambiente térmico, como o índice WBGT, utilizado como ferramenta de rastreio do stresse térmico, bem como as normas ISO 7933 e ISO 7730, que permitem aprofundar a avaliação da sobrecarga e do conforto térmico nos locais de trabalho.
Medidas simples podem fazer a diferença
Entre as principais medidas preventivas abordadas destacaram-se a disponibilização permanente de água potável, a criação de zonas de sombra e de recuperação térmica, a melhoria da ventilação e climatização dos espaços e a adaptação das condições de trabalho à realidade de cada atividade.
Ao nível da organização do trabalho, foi recomendada a adaptação dos horários, privilegiando a realização das tarefas fisicamente mais exigentes nos períodos mais frescos do dia, bem como o reforço das pausas, a rotação de tarefas, a promoção da hidratação e a redução de situações de trabalho isolado.
A informação, a formação e a vigilância da saúde assumem igualmente um papel fundamental, permitindo que trabalhadores e chefias reconheçam atempadamente os sinais de alerta e saibam como atuar perante uma situação de emergência relacionada com o calor.
Prevenir é antecipar
Como principal mensagem da sessão, ficou reforçado que o calor deve ser encarado como um risco profissional previsível e, por isso, integrado na gestão corrente da Segurança e Saúde no Trabalho.
Uma prevenção eficaz passa por uma avaliação de riscos atualizada, monitorização das condições meteorológicas, adaptação da organização do trabalho, adoção de medidas de proteção, informação e formação dos trabalhadores, vigilância da saúde e procedimentos de emergência claros e conhecidos por todos.
A AESINTRA agradece à Autoridade para as Condições do Trabalho a colaboração e a disponibilidade demonstradas na realização desta iniciativa, bem como às Inspetoras do Trabalho pela partilha de conhecimento técnico e pelas orientações transmitidas às empresas.
Esta colaboração reforça a importância do trabalho conjunto entre a AESINTRA e entidades com responsabilidades na área da Segurança e Saúde no Trabalho, contribuindo para apoiar o tecido empresarial na adoção de práticas preventivas e na criação de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.
Com esta iniciativa, a AESINTRA reafirma o seu compromisso em informar, sensibilizar e apoiar as empresas do concelho de Sintra, promovendo uma cultura de prevenção cada vez mais ajustada aos novos desafios colocados pelas alterações climáticas.